Se você viu Irmão do Jorel, já viu trabalho da Copa Studio. O estúdio do Rio de Janeiro, fundado em 2009, é um dos poucos nomes da animação brasileira que o público reconhece de fato, e a forma como ele se sustenta diz muito sobre o setor inteiro.

A Copa faz duas coisas ao mesmo tempo. De um lado, produz IP autoral, como Irmão do Jorel, que virou série longa, filme de cinema e uma marca com vida própria, além de Acorda, Carlo!, feito para a Netflix pelo mesmo criador. De outro, presta serviço de animação 2D para clientes de fora, e a lista é grande, com Cartoon Network, Adult Swim, Amazon, Fox, Discovery Kids e Hasbro.

Esse é o modelo que funciona no Brasil hoje. O trabalho de serviço paga a estrutura, mantém a equipe empregada entre um projeto autoral e outro, e dá previsibilidade de caixa. O projeto autoral é onde o estúdio constrói reputação, ganha prêmio, como as duas indicações ao Emmy Kids, e cria algo que pode gerar receita por anos. Um não vive sem o outro.

É a mesma lógica que já contei sobre como os estúdios de games brasileiros dependem do mercado externo. Animação e games seguem o mesmo caminho, produzir aqui e faturar lá fora.

O que isso tem de bom é resiliência. O que tem de ruim é que o estúdio brasileiro raramente chega a ser dono do que produz para os outros. A Copa é uma das que conseguiu equilibrar os dois lados. A maioria fica só no serviço, e é por isso que o público conhece tão poucos nomes.