O personagem mais peludo de Masters of the Universe não tem um fio de pelo real. O Beast Man, capanga de Esqueleto enviado à Terra atrás do príncipe Adam no filme de Travis Knight, é inteiramente digital, e a ILM contou os bastidores na edição 67 da revista befores & afters, com trecho publicado em 9 de outubro. O longa estreou nos cinemas em junho, teve bilheteria fraca e encontrou público depois, no Prime Video.
No set, quem dava corpo ao personagem era o dublê Clayton Grover, com um suporte nos ombros que marcava a altura dos olhos da criatura para os atores olharem para o lugar certo. Ele aparece em cerca de 20% dos planos finais como referência física, e o resto vem do computador. A animação foi quase toda feita quadro a quadro pela equipe de Michael Lum, com algumas sessões no palco de captura da ILM com o artista James Unsworth, e o debate interno era quanto o Beast Man devia se mover como gorila e quanto como homem.
Para o rosto, a equipe escaneou com LiDAR uma maquete do personagem rugindo e fez o caminho inverso até uma pose neutra, para só então criar as expressões de rugido e de medo. A pintura facial foi baseada em fotos do próprio rosto de Valentina Rosselli, TD de lookdev da ILM. O pelo foi simulado no corpo, na ombreira da armadura e na cabeça, que precisava parecer embaraçada e oleosa, com os bonecos mais recentes da linha de brinquedos como referência para separar pelo de armadura.
As cenas urbanas também enganam. O trecho de Oklahoma City onde o Beast Man ataca carros foi filmado em Bovingdon, uma antiga pista de pouso da RAF no Reino Unido, e a cidade inteira em volta é digital, montada com fotos e escaneamentos da cidade americana e referência de Canary Wharf para o vidro dos prédios. A previs e a postvis ficaram com a Proof, feitas na Unreal Engine. Há duas semanas, a ILM também apareceu por aqui com os dinossauros sujos de The End of Oak Street, outro caso em que a sujeira deu credibilidade à criatura.
Tem algo de irônico no fato de o trabalho mais minucioso de um filme tão criticado estar num vilão secundário. O Beast Man precisava convencer como bicho, como guerreiro e como brinquedo dos anos 1980 ao mesmo tempo, e a equipe da ILM resolveu isso com pelo ensebado e uma pintura emprestada do rosto de uma colega.