A EA já tem aprovação antitruste dos Estados Unidos pra virar uma empresa privada de capital fechado, mas ainda não sabe se pode fechar o negócio. A compra de 55 bilhões de dólares liderada pelo fundo soberano saudita PIF, pela Silver Lake e pela Affinity Partners de Jared Kushner segue travada esperando a decisão inicial da Comissão Europeia, marcada pra 22 de julho.
Já cobri essa negociação quando ela entrou na reta final regulatória, e o que mudou desde então é que a barreira americana caiu, mas a europeia continua de pé. A aprovação da HSR nos Estados Unidos tirou uma das etapas mais incertas do caminho, restando agora o CFIUS, que examina implicações de segurança nacional, e a própria Comissão Europeia, que decide se autoriza a operação sem exigir concessões adicionais. O CFIUS existe justamente pra casos como esse, quando um fundo soberano de outro país compra participação relevante numa empresa americana de tecnologia, e o histórico do comitê mostra que ele não hesita em impor condições ou travar negócio inteiro quando enxerga risco. Pra EA, isso significa meses adicionais de incerteza mesmo depois de qualquer sinal verde da Europa.
O prazo contratual final da operação já foi estendido pra 28 de setembro, o que sugere que as partes sabiam desde o início que esse tipo de aquisição, envolvendo capital soberano estrangeiro comprando uma das maiores publishers de games do mundo, ia atrair escrutínio pesado em múltiplas jurisdições. Não é exagero dizer que esse processo virou um teste de como reguladores ao redor do mundo tratam dinheiro estatal entrando em ativos culturais estratégicos.
O que fico pensando é se essa demora toda muda alguma coisa pra quem joga os jogos da EA no dia a dia, ou se é só um jogo de bastidores entre advogados e reguladores que nunca chega perto do consumidor final. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo, o resultado dessa negociação decide quem manda dentro da empresa, mas o jogador só vai sentir isso anos depois, se sentir.