O consórcio formado pelo fundo soberano saudita PIF, pela Silver Lake e pela Affinity Partners pressiona para fechar a aquisição da Electronic Arts, avaliada em 55 bilhões de dólares, antes do fim de julho, com o processo agora dependendo apenas da revisão do CFIUS, o comitê que analisa investimento estrangeiro em empresas americanas por questões de segurança nacional. Com a aprovação da HSR já garantida, a pergunta deixou de ser se o negócio vai acontecer e passou a ser quanto tempo a revisão de segurança nacional ainda vai levar.
O acordo, anunciado em 29 de setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas da EA em dezembro do mesmo ano, representa a maior aquisição alavancada da história corporativa, superando qualquer LBO já registrado em qualquer setor. A data limite estendida para a revisão do CFIUS é 28 de setembro de 2026, o que dá ao consórcio um trimestre extra de fôlego, mas também sinaliza que ninguém está tratando essa revisão como formalidade.
O principal ponto de atenção regulatória não é concorrência, é governança. Uma gestora soberana do Oriente Médio comprando uma gigante americana de tecnologia com contratos históricos de simulação para o Departamento de Defesa é exatamente o tipo de transação que o CFIUS examina com lupa, somado à questão de quem controla os dados de milhões de jogadores ao redor do mundo.
Vale lembrar que o catálogo em jogo nessa negociação inclui desde Battlefield até franquias esportivas como EA FC, que já mostrou força própria mesmo depois do rompimento com a FIFA, prova de que o valor da empresa vai muito além de qualquer discussão regulatória abstrata. Vale acompanhar se a pressão do PIF por uma aprovação ainda em julho realmente se confirma, ou se o CFIUS decide esticar a análise até bem mais perto do prazo final de setembro.