A compra da EA por US$ 55 bilhões segue travada numa fase que ninguém gosta de acompanhar, a burocrática. A Comissão Europeia sinalizou que está pronta pra aprovar o negócio, com decisão oficial marcada pra 30 de julho, enquanto o obstáculo que realmente importa continua nos Estados Unidos.
O consórcio liderado pelo fundo soberano saudita PIF, com Affinity Partners e Silver Lake, já passou pelo crivo antitruste americano do HSR. O que falta agora é só a revisão do CFIUS, o comitê que analisa risco de segurança nacional em aquisições estrangeiras, e essa etapa já estourou dois prazos, o trimestre fiscal original e depois 30 de junho. O novo prazo contratual ficou pra 28 de setembro.
Do lado europeu, o caminho parece mais tranquilo. A expectativa era de decisão em 22 de julho, mas a Comissão adiou pra 30, usando as regras de subsídios estrangeiros como base pra aprovação. Não é incomum esse tipo de deslize de calendário em negócios desse porte, mas ele reforça que a peça que trava tudo está mesmo em Washington, não em Bruxelas.
Pra quem acompanha o mercado de games, o que importa aqui não é a data exata, é o padrão. Uma aquisição de US$ 55 bilhões, a maior operação alavancada da história corporativa, virou refém de uma análise de segurança nacional justamente por envolver capital saudita. Vale acompanhar de perto o desfecho em setembro, porque o resultado desse caso vai servir de referência pra qualquer fundo soberano que pensar em comprar publisher americana daqui pra frente.