A primeira tarefa da Framestore numa série sobre o fim do mundo foi reconstruir uma cidade intacta. A linha do tempo de The Walking Dead: Dead City, derivado da franquia de zumbis que acompanha Maggie e Negan numa Manhattan isolada, se separa da realidade no fim de 2010, quando o surto começa. Isso significa que cada prédio, cada ponte e cada recorte do horizonte tinha que bater com a cidade de 2010. O breakdown da terceira temporada, que foi ao ar entre julho e setembro na AMC, saiu nesta semana e mostra como a equipe de Nova York resolveu isso.

The walking Dead: Dead City
The walking Dead: Dead City

A resposta veio do arquivo do Google Street View, que guarda imagens da cidade desde por volta de 2009. Com elas, os artistas identificaram quais edifícios existiam no período, quais foram construídos depois e o que precisava sair do horizonte. Só então decidiram o que destruir, o que cobrir de mato e o que manter de pé. Os ativos principais foram uma Estátua da Liberdade pós-apocalíptica, uma réplica arruinada da ponte George Washington e o Empire State Building inteiro em CG, que aparece no plano mais ambicioso da temporada, um voo contínuo sobre Manhattan que mergulha pela lateral do prédio destruído. O vídeo mostra timelapses da construção da estátua e do arranha-céu.

Alguns planos aéreos mostram quase a ilha inteira, de Midtown ao distrito financeiro, e a Framestore tratou essas vistas como um pintor tradicional faria. O detalhe fica concentrado onde o olho do espectador tende a ir, e o resto da cidade vai ficando mais impressionista conforme se afasta do foco. O pipeline usou Houdini, e a equipe, liderada pelo supervisor de VFX Steve Drew, também cuidou de troca de olhos em CG, sangue e postvis. É a mesma equipe de Nova York que, poucos dias atrás, apareceu por aqui com o campo de batalha em CG de Lioness.

Gosto de pensar no que o Street View virou nesse processo. Ele foi feito para ajudar alguém a achar um endereço e acabou como arquivo histórico de uma cidade que muda de silhueta todo ano. Talvez nenhum outro registro guarde com tanta precisão a cara de Manhattan antes de 2010, e ele está sendo usado para montar o cenário onde essa Manhattan apodrece. A memória mais confiável de um lugar real agora mora num serviço de mapas, e a ficção chegou nela antes dos historiadores.