A consultoria Aream & Co divulgou seu relatório trimestral de investimento em games, e o número chama atenção, fusões e aquisições no setor somaram US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, distribuídos em 54 transações. É o nível mais alto de atividade desde 2022, bem antes da onda de demissões que marcou boa parte da indústria nos últimos anos.

O detalhe mais interessante não é o volume total, é onde esse dinheiro está indo. Em vez dos mega negócios bilionários que dominavam manchete antes, o relatório aponta o mercado mid-market como motor real dessa alta, aquisições acima de US$ 100 milhões bateram o maior número desde o boom da pandemia. JustPlay saiu por US$ 289 milhões, a Nazara comprou participação de controle na Bluetile por US$ 201 milhões, e a Playstack foi adquirida pela TPG/imc por US$ 168 milhões.

Isso não inclui o investimento privado em IA e AdTech aplicado a games, que sozinho somou US$ 3,1 bilhões no trimestre, nem o salto de 72% no valor de IPOs do setor comparado ao ano passado. O dinheiro claramente não sumiu da indústria, só mudou de forma como circula.

Esse movimento de consolidação acontece em paralelo à compra da EA por US$ 55 bilhões, negócio que sozinho ofusca qualquer estatística trimestral, e mostra que o apetite por consolidação não está restrito aos nomes gigantes que estampam manchete internacional.

Vale acompanhar esse padrão de perto, porque um mercado que demite gente por um lado e absorve capital record por outro tende a se reorganizar rápido, e quem está de fora dessas transações corre o risco de virar alvo delas no próximo trimestre.