A gamescom sempre foi a maior feira de games do mundo em público, mas nunca foi o palco preferido das três grandes de console ao mesmo tempo. Em 2026, isso ficou mais claro do que nunca. A Opening Night Live e os showcases da semana foram dominados pela Microsoft, por publishers terceiros e pelo PC, enquanto Sony e Nintendo escolheram não subir ao palco principal.

A Microsoft levou Gears of War E-Day, Fable e mais de 25 jogos ao evento, com transmissões próprias do estande. Faz sentido para uma empresa que hoje se define como plataforma e serviço, não como caixa embaixo da TV. A gamescom, com seu público europeu enorme, é vitrine ideal para o Game Pass e para um catálogo que também vende no PlayStation.

A Sony seguiu a rotina dela, sem conferência na Alemanha, concentrando anúncios nos próprios State of Play espalhados pelo ano. A Nintendo faz o mesmo com os Directs, e prefere guardar os jogos first-party para esses momentos que controla do início ao fim. Terceiros da Nintendo até apareceram na gamescom, mas o palco grande ficou vazio de first-party japonês.

Isso cria uma feira desequilibrada de propósito. Quem foi a Colônia viu muito Xbox, muito RPG asiático, muito remake e muita estratégia de PC. Não viu God of War, não viu Mario, não viu o próximo grande exclusivo de PS5 anunciado ao vivo. A feira esgotou todo o espaço de exposição pela primeira vez, então a ausência não é por falta de relevância.

O recado para o mercado é que a gamescom virou o evento da Microsoft e dos publishers, não das três plataformas. Vale acompanhar se a Sony e a Nintendo continuam confortáveis em ceder esse espaço, porque atenção de imprensa e de público em agosto tem valor, e por enquanto quem está colhendo esse valor é o Xbox.