A Greydot Lab nasceu há menos de dois anos em Barueri, fundada por Vinicius Gusmão, ex-cofundador da healthtech MedRoom vendida pra Anima em 2020, Gabriel Hidd, ex-sócio da ACE e ex-COO da própria MedRoom, e Filipe, o terceiro nome por trás do projeto. Hoje o estúdio tem 25 pessoas e opera captura de movimento com 10 câmeras, a mesma tecnologia usada em produções como Avatar e O Senhor dos Anéis.
A receita até aqui vem de prestação de serviço, mais de 20 projetos somando R$ 5 milhões, incluindo animação cinemática pro jogo Trigger Warning, da Prime Video, além de trabalho pra produção da própria Disney+. É negócio de estúdio terceirizado funcionando bem, mas com teto claro de escala.
Por isso a Greydot está levantando US$ 1 milhão em rodada seed. Uma fatia menor, 30%, vai pra melhorar o próprio pipeline de terceirização. Os outros 70% vão pra Fendara, primeira propriedade intelectual própria do estúdio, um jogo de corrida onde fissuras interdimensionais se abrem na pista e, do outro lado, a física muda por completo.
O modelo de negócio em volta de Fendara é a parte mais interessante. Em vez de vender o jogo direto, a Greydot construiu um simulador de movimento integrado a óculos de realidade virtual, pensado pra rodar de forma itinerante em shopping e evento, cobrando por volta de R$ 50 por sessão, com produto licenciado empurrando o ticket médio até R$ 150. Isso resolve dois problemas ao mesmo tempo, gera público garantido pra história e produz receita independente de quanto a IP em si já está madura.
A ideia estreou em novembro, na Expo Comics de São José dos Campos, testando reação de público antes de qualquer grande aporte. A meta declarada é bater ponto de equilíbrio em 18 meses, prazo curto pra quem está construindo pipeline, produto físico e história ao mesmo tempo. É outro exemplo de estúdio brasileiro pequeno tentando transformar prestação de serviço em propriedade própria, cada um no seu gênero e no seu ritmo.