Heart of the Beast, filme de David Ayer que estreou nos Estados Unidos em 25 de setembro, acompanha James Belmont, personagem de Brad Pitt, e o cão militar Odin numa travessia de 58 milhas pelo Alasca depois de um acidente de avião. Em entrevista ao site befores & afters, o supervisor de efeitos visuais François Dumoulin explicou que quase tudo no filme mistura câmera real e computação gráfica, e que a maior parte do público nem percebe.

O astro canino é Uber, um pastor-alemão que trabalhou com busca e resgate, com três dublês que são filhos dele. Como a quarentena impedia importar cães para a Nova Zelândia, onde o filme foi rodado, a produção teve menos de dois meses para preparar os animais. Por segurança, a Framestore construiu um Odin inteiramente digital, escaneado em cabine 3D e com fotografia de polarização cruzada para copiar cada detalhe do pelo. A versão em CG entra nas cenas perigosas, nas mais violentas e em alguns momentos de emoção.

O caso mais curioso é o dos dentes de titânio. Uber era simpático demais e não rosnava de jeito nenhum, então a equipe manteve olhos, orelhas e corpo do cão real e trocou apenas o focinho e a mandíbula por um modelo digital. Dumoulin chamou o resultado de cão montado como Frankenstein, e funciona tão bem que ninguém nota a costura.

Os lobos também são digitais, cinco ou seis no corte final, coreografados com dublês andando de quatro em cena para dar referência de espaço e contato com o chão. Já os ursos foram feitos com marionetes de Brian Fisher, da Practic Creations, a mesma técnica usada em Prehistoric Planet, para que elenco e equipe soubessem onde o animal estava.

A travessia das corredeiras foi recriada num estúdio a céu aberto com rochas impressas a partir de escaneamento LiDAR do rio real, porque o local original exigia helicóptero e uma hora de caminhada. A água é sempre filmada de verdade. No acidente, Brad Pitt voou num Cessna real sobre as montanhas, com Ayer operando a câmera do banco de trás, e a Rodeo FX reconstruiu em CG o ponto da queda, com árvores animadas reagindo ao avião.

Quem gosta de criatura digital encontra aqui o mesmo cuidado que a ILM teve quando mostrou como fez os dinossauros sujos de The End of Oak Street. Em Heart of the Beast, porém, a meta declarada de Ayer era que o filme nunca parecesse um filme de efeitos visuais, e um cão que precisou de boca digital para conseguir rosnar diz bastante sobre até onde a equipe levou isso.