A Netflix fechou a Night School Studio, criadora de Oxenfree, e também a Moonloot, estúdio finlandês que a companhia havia comprado. O anúncio saiu em 13 de agosto, só seis semanas depois do lançamento de Unhinged, jogo de terror em primeira pessoa de 30 minutos feito pra rodar via streaming na tela da TV. O timing é o que mais chama atenção aqui.
Poucas semanas antes do fechamento, o co-CEO da Netflix, Greg Peters, elogiou publicamente os números de participação de jogadores em Unhinged durante uma teleconferência com acionistas. Documentado, público, sem ambiguidade. E mesmo assim, toda a equipe de desenvolvimento foi dispensada logo depois. Quando uma empresa elogia resultado e desliga o time que produziu esse resultado em menos de dois meses, o problema não está no jogo, está na estratégia de cima.
A Netflix justificou a decisão dizendo que quer focar em jogos pra criança, festa, história e ganchos mainstream, o tipo de linguagem corporativa que geralmente significa corte de aposta de nicho em favor de volume. A Night School nasceu como fundação dos games da Netflix em 2021, quando a Oxenfree original virou case de sucesso pra atrair a equipe. Fechar justamente essa fundação, cinco anos depois, é sinal de que a estratégia de games da empresa está mudando de direção outra vez. Vale lembrar que a Night School não era um estúdio qualquer, Oxenfree virou queridinho da crítica e ainda hoje é citado como referência de narrativa em jogo indie, o tipo de currículo que deveria proteger uma equipe justamente desse tipo de corte abrupto.
O que fica pra indústria é o mesmo padrão que já apareceu em outros lugares recentemente, a Double Fine também sofreu corte poucas semanas depois de uma virada positiva. Estúdio pequeno, elogio público, corte rápido logo em seguida. Vale acompanhar se esse ciclo vira regra do mercado de games ligado a plataformas de streaming, porque até aqui, ele já se repetiu rápido demais pra ser coincidência.