A discussão sobre o fim da mídia física ganhou um capítulo com sotaque brasileiro. Em entrevista ao canal Coelho no Japão, gravada durante a Brasil Game Show 2026, em São Paulo, Bill van Zyll, vice-presidente e gerente-geral da Nintendo para a América Latina, disse que a empresa não tem planos de abandonar os jogos físicos. Segundo ele, a Nintendo segue o cliente, e o Switch 2 foi pensado para conviver com cartucho e download ao mesmo tempo.

A declaração pesa por causa do contexto. Em julho, a Sony confirmou que deixa de fabricar discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028, mantendo à venda e funcionando os discos que já existem. A justificativa foi a mudança de hábito do público, que hoje compra muito mais na loja digital. Por aqui, essa decisão mexe com um mercado inteiro de revenda e troca de jogos usados, assunto que já rendeu a análise sobre como o fim dos discos da Sony ameaça uma revenda de 7 bilhões de dólares.

Van Zyll também lembrou que o jogo físico é especialmente popular no Brasil e no resto da América Latina, e admitiu que o custo de produzir cartucho e componente eletrônico está subindo. Esse é o ponto que eu acompanharia de perto. Prometer mídia física custa pouco, e o difícil vai ser manter o preço da caixa perto do da eShop num país em que frete e importação já encarecem tudo.

Tem ainda um asterisco que todo comprador de Switch 2 precisa conhecer. Boa parte dos lançamentos em caixa no console sai como Game-Key Card, um cartucho que funciona só como chave e exige baixar o jogo inteiro antes de jogar. Na prática, você tem a caixa, a revenda e a licença, mas sem internet e sem espaço no console o cartucho sozinho não roda nada.

A minha leitura é que a Nintendo ganha pontos com o colecionador agora e preserva o mercado de usados que a Sony vai deixar de abastecer. Antes de comprar um jogo físico de Switch 2, confira na caixa se ele vem completo no cartucho ou se é Game-Key Card, porque essa informação define quanto ele vale daqui a cinco anos.