Papaya, animação brasileira dirigida por Priscilla Kellen, entrou em cartaz nesta quinta-feira (24) com um currículo que pouco filme nacional leva para a estreia. Antes de chegar ao circuito, o longa foi a primeira animação do Brasil selecionada para a mostra competitiva Generation Kplus do Festival de Berlim, em fevereiro, passou por mais de dez festivais fora do país e já tem distribuição comercial garantida em 11 países, incluindo Alemanha, França, Portugal e México.

A história acompanha uma semente de mamão que sonha em voar e vive em movimento para não criar raiz. No caminho, ela descobre que as raízes conectam vidas e podem mudar o mundo em volta dela. O filme tem 74 minutos e nenhuma linha de diálogo. Quem conduz a narrativa é a trilha de Talita Del Collado, do Trio Manaflor, com participação de Tulipa Ruiz.

No visual, Priscilla trabalha com formas bidimensionais, colagem e uma paleta que mistura grafismo latino-americano com os recortes em papel de Henri Matisse. Durante a produção, ela passou a chamar esse estilo de tropicalismo pós-apocalíptico, e o nome combina com o que aparece na tela, com florestas em rosa e vermelho saturados e personagens de traço mínimo.

Os créditos explicam parte do resultado. A produção é da Boulevard Filmes, com coprodução do Birdo Studio, o estúdio paulistano por trás dos mascotes olímpicos do Rio, e de Alê Abreu, diretor de O Menino e o Mundo, indicado ao Oscar de animação em 2016. Foram sete anos de trabalho, com uma etapa longa de animatic para testar cena, som e movimento antes de fechar cada sequência. O projeto teve apoio do Fundo Setorial do Audiovisual, do ProAC e da Spcine.

Na França, Papaya será distribuído pela Gebeka Films, a mesma casa que lançou Kirikou e a Feiticeira e Meu Amigo Totoro por lá. Para uma animação independente brasileira, entrar no catálogo de uma distribuidora com esse histórico conta muito, porque abre porta para os próximos projetos do estúdio e da diretora.

No Brasil, o filme chega pela Cajuína Audiovisual em parceria com a Sessão Vitrine Petrobras, e as salas aparecem na programação das redes que participam do projeto. Circuito de animação autoral costuma durar pouco em cartaz, então quem quer ver na tela grande deve ir nas primeiras semanas, de preferência com criança do lado, que é o público para o qual Priscilla diz ter desenhado cada cena.