A Pixar demitiu 116 pessoas nesta semana, o maior corte do estúdio desde o verão de 2024, bem no meio do ano em que Toy Story 5 chega aos cinemas como uma das grandes apostas da Disney. Não consigo parar de pensar em como essas duas coisas convivem no mesmo comunicado de imprensa sem que ninguém pareça achar estranho.
O corte não fica isolado. É a terceira rodada de demissões da Disney em 2026, depois de uma consolidação de marketing em janeiro e uma redução de cerca de mil pessoas em abril. Desta vez, o National Geographic levou a parte mais dura, quase cem vagas fechadas, incluindo cerca de uma dezena de jornalistas da ABC News, enquanto a Pixar concentrou os cortes em produção e operações, não em quem desenha ou anima.
Talvez o mais desconfortável aqui não seja o número em si, é a linguagem. A Disney chamou isso de avaliação contínua de como a empresa gerencia recursos e reinveste conforme a indústria evolui. É a mesma frase que qualquer empresa usa pra qualquer corte, não importa o tamanho ou o momento. Fico pensando se o problema real é que estúdios como a Pixar viraram parte de uma engrenagem financeira grande demais pra que um lançamento como Toy Story 5 consiga proteger quem trabalha lá dentro, mesmo quando o filme é sucesso.
Não sei se existe uma leitura confortável pra isso. A Pixar de operações reduzidas ainda vai lançar filmes bons, provavelmente. Mas cada vez que um estúdio de animação corta gente na mesma safra em que celebra um marco, fica mais difícil separar o trabalho criativo da lógica de balanço que decide quem fica.