Amir Satvat toca sozinho, como projeto pessoal dentro da ASGC, o rastreador mais citado de demissão na indústria de games. Em setembro ele revisou a previsão pra 2026, de aproximadamente 7.500 pessoas pra 14.666 no ano inteiro, ajuste puxado pelos números que já estavam confirmados, 10.140 demissões documentadas até 11 de agosto, com mais 4.526 esperadas até dezembro.

O número fica pouco abaixo do pico de 2024, quando 15.631 pessoas perderam o emprego no setor num único ano. Somando 2022 até agora, Satvat já contou 58.494 demissões, cinco anos seguidos de corte relevante numa indústria que segue reportando receita recorde em paralelo.

A distribuição geográfica ajuda a entender onde o corte concentra. América do Norte responde por 66% dos eventos de demissão e cerca de 79% das pessoas atingidas, com os Estados Unidos sozinhos perto de 48% do total global e o Canadá em torno de 17%. A Europa fica com aproximadamente 30%.

O projeto de Satvat nasceu como ferramenta de ajuda mútua, ele também conecta gente demitida com vaga aberta, trabalho que vai bem além de só registrar número numa planilha. Isso importa porque muda o papel do rastreador, de estatística fria pra ponte direta entre quem perdeu o emprego essa semana e quem está contratando essa mesma semana.

Fico pensando no tamanho da ironia de um trabalho voluntário feito por uma pessoa só virar a referência mais confiável do setor sobre um problema que empresa bilionária deveria ser a primeira a medir com transparência. Nenhuma publisher grande mantém painel próprio de corte acumulado, comparável e público, do jeito que Satvat sustenta há cinco anos sem cobrar nada de quem consulta.

Enquanto isso, casos como o do corte na Double Fine, três semanas depois de deixar a Xbox, continuam alimentando a planilha de Satvat mês a mês. Nenhum desses eventos acontece isolado, cada um é só mais um ponto entrando numa curva que já bateu quase todo recorde da história recente do setor.