A notícia parece ser sobre Hollywood, com um negócio de US$ 111 bilhões, dois estúdios de cinema centenários e uma marca nova na porta. Só que, lá dentro, existe uma decisão que mexe direto com quem faz videogame. A Paramount concluiu nesta semana a compra da Warner Bros. Discovery, e as duas empresas passaram a operar sob o nome Skydance. Segundo um memorando interno noticiado pela Variety em 6 de outubro, a divisão de games da Warner vai se fundir com a Paramount Games Studio, criada neste verão, num único braço chefiado por Tony Driscoll, executivo que já passou pela Epic Games e pela própria Warner.
Do lado da Warner entram estúdios conhecidos de qualquer jogador. A Avalanche Software fez Hogwarts Legacy, a NetherRealm faz Mortal Kombat, a Rocksteady criou a série Batman: Arkham e a TT Games cuida dos jogos de Lego, além das equipes da WB Games em Montreal e Boston. Do lado da Paramount vêm licenças como Star Trek, Bob Esponja, Tartarugas Ninja e Avatar. A Skydance ainda tinha seu próprio estúdio de games, que está produzindo Marvel 1943: Rise of Hydra. E, num detalhe que diz bastante sobre o rumo do grupo, Bobby Kotick, ex-CEO da Activision Blizzard, entrou para o conselho da nova empresa.
O que não apareceu em nenhum comunicado é o plano para cada estúdio. Não se falou em cortes, mas também não se falou em projetos, orçamentos ou quem fica com o quê. Driscoll escreveu que sua primeira prioridade é conhecer o maior número possível de funcionários, o que, para quem trabalha numa dessas casas, é ao mesmo tempo gentil e pouco tranquilizador. A consolidação vem no mesmo ano em que a compra da EA por US$ 55 bilhões avançou nos reguladores, e o mercado parece cada vez mais concentrado em poucos donos muito grandes.
Olho a lista e tenho uma impressão estranha. Os jogos da Warner sempre funcionaram como extensão das marcas de cinema, e a Paramount montou sua divisão justamente para fazer o mesmo com as dela. Agora as duas lógicas viram uma só, com mais personagens do que qualquer estúdio consegue transformar em jogo nos próximos dez anos. Talvez a decisão que pesa seja qual dessas marcas vai ganhar um jogo de verdade e qual vai virar só licença emprestada para um aplicativo de celular, e essa resposta deve aparecer primeiro na planilha, bem antes do anúncio.