Em meio à abertura da pré-venda de Grand Theft Auto VI, o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, fez questão de reafirmar publicamente que o jogo não utiliza inteligência artificial generativa em nenhuma etapa do desenvolvimento. É uma declaração que carrega peso comercial e simbólico num momento em que a própria indústria está dividida sobre o tema.

Pesquisa recente apresentada na GDC 2026 mostrou que 52% dos desenvolvedores acreditam que a IA generativa está tendo impacto negativo na indústria, um salto enorme comparado aos 18% registrados apenas dois anos antes. Ao mesmo tempo, mais da metade dos estúdios já admite usar esse tipo de ferramenta em algum ponto da produção, geralmente na criação de assets, texturas ou elementos procedurais.

É nesse contexto que a declaração da Take-Two ganha força. Ao afirmar que o jogo mais esperado da década foi construído inteiramente sem IA generativa, a empresa não está apenas descrevendo um processo técnico, está posicionando GTA 6 como contraponto direto a uma tendência que parte considerável do público de games enxerga com desconfiança. Não é acaso que a Rockstar sempre cultivou uma imagem de estúdio que preza por trabalho artesanal e ciclos de produção longos, às vezes de quase uma década por jogo.

Vale lembrar que GTA 6 chega em 19 de novembro por 79,99 dólares, em versões física e digital, revertendo parte da tendência de digital-only que vinha ganhando força em outros grandes lançamentos recentes. Physical media de volta e ausência declarada de IA generativa formam, juntos, um discurso quase nostálgico de um jeito de fazer jogo que a própria indústria parece estar deixando pra trás em nome de velocidade e escala.

No fim, resta ver se esse posicionamento se sustenta como diferencial de mercado ou se vira só nota de rodapé assim que o jogo finalmente chegar às lojas. Por enquanto, funciona como um recado claro de que nem todo estúdio grande está disposto a seguir a mesma cartilha.