A venda da EA fechou oficialmente em 4 de agosto, com a empresa saindo da Nasdaq depois de um acordo de 55 bilhões de dólares, o maior buyout de capital privado já fechado no setor de qualquer indústria, não só games. O fundo soberano saudita PIF ficou com 93,4% do negócio, a Silver Lake Partners com 5,5% e a Affinity Partners, gestora de Jared Kushner, genro do presidente americano, com 1,1%. O fechamento veio depois de meses de espera pela aprovação regulatória europeia, etapa que segurou o negócio até quase o último momento possível.
O detalhe que dá outra camada pra essa história é histórico. Em 2008, pouco antes do lançamento de GTA IV, a própria EA tentou comprar a Take-Two por dois bilhões de dólares, oferta recusada porque a diretoria da Take-Two considerou que subestimava o valor das franquias, do talento criativo e da base de fãs da empresa. Quase vinte anos depois, é a EA que deixa de ser independente, e a Take-Two segue exatamente onde sempre esteve.
Com Ubisoft já sob controle da Tencent através da Vantage Studios e agora a EA nas mãos de um consórcio liderado por fundo estatal, a Take-Two passa a ocupar uma posição rara, a de maior publisher de capital aberto que ainda responde só aos próprios acionistas no mercado tradicional. Isso não significa imunidade a pressão financeira, a empresa segue exposta a resultado trimestral e expectativa de investidor como qualquer companhia listada, mas o tipo de pressão é diferente do que vem de um controlador soberano com agenda própria.
Vale acompanhar como esse novo mapa de propriedade muda decisão de investimento na indústria inteira, porque a lógica que levou EA e Ubisoft pra fora do modelo tradicional de capital aberto pode perfeitamente alcançar outros nomes grandes, inclusive a própria Take-Two, dependendo de como o mercado de games se comportar nos próximos anos.