O estúdio Trend VFX, de Gizé, no Egito, divulgou um breakdown de sete minutos do trabalho de efeitos visuais que fez para Asad, drama histórico dirigido por Mohamed Diab, o mesmo cineasta por trás da série Moon Knight, da Marvel. O filme estreou nos cinemas egípcios em maio e agora ganha esse making of, que mostra o caminho dos planos do começo ao fim: da placa gravada em estúdio até ruas e horizontes de cidade refeitos inteiros em computação gráfica.
O que me chama atenção é a variedade do que a casa entregou. Tem extensão de ambiente histórico, multidão digital, água, veículos, uma porção de assets e personagens em CG, incluindo cenas com um bebê inteiramente digital. Esse escopo, que junta multidão, ambiente e criatura no mesmo pacote, até pouco tempo atrás ficava restrito a um punhado de estúdios em Londres, Vancouver e Wellington.
Para quem acompanha o mercado de produção, o ponto é geográfico. Um filme com essa ambição visual sendo finalizado por uma casa egípcia mostra que a capacidade de fazer VFX de alto nível vazou para bem longe do circuito tradicional. A parte difícil aqui é a integração entre imagem real e elemento digital, que é o que decide se o plano convence, e ela está saindo bem em mais lugares.
Isso interessa direto a quem trabalha com VFX no Brasil. O mercado de serviço funciona em cadeia global, com estúdios menores pegando trechos de produções maiores. Quanto mais polos capazes de entregar cidade e criatura digital com qualidade, mais porta de entrada existe para o artista brasileiro, seja numa casa nacional, seja em contrato remoto para fora.
Se for assistir ao breakdown, olhe para uma coisa em especial: como a Trend VFX partiu de um cenário real pequeno e construiu tudo em volta. É o mesmo raciocínio de plano que a Weta FX, o estúdio neozelandês de O Senhor dos Anéis, usa em série grande, e que já apareceu por aqui na cobertura do making of da batalha naval de House of the Dragon. Orçamentos muito diferentes, a mesma lógica para montar o plano.
Vale acompanhar essas casas que estão surgindo fora do eixo. Elas contratam, terceirizam e treinam gente, e costumam estar mais abertas a talento de fora do que os nomes já consolidados.