A VAST começou como o projeto de um jogador de 29 anos que passou pela MiniMax e pela SenseTime antes de fundar sua própria empresa em Pequim, em 2023. Três anos depois, a startup por trás da ferramenta Tripo virou unicórnio avaliado em mais de US$ 1 bilhão, depois de rodadas que somaram cerca de US$ 250 milhões só em 2026, e hoje se posiciona como concorrente direta de Tencent e Google na corrida por modelos de mundo em 3D.
A ferramenta principal, o Tripo Studio, transforma texto ou imagem em modelo 3D completo, e a versão mais recente, o Tripo 3.0, entrega geometria mais detalhada e precisa do que qualquer versão anterior da empresa. O fundador, Simon Song, não esconde a ambição, quer construir algo parecido com um TikTok do conteúdo 3D, onde qualquer pessoa cria e publica mundos sem depender de conhecimento técnico de modelagem.
O caminho até o unicórnio foi rápido. Em março de 2026, uma rodada Série A de US$ 50 milhões, liderada pela Alibaba, já colocava a empresa acima da marca de US$ 1 bilhão em valor. Dois meses depois, novas rodadas somaram outros US$ 200 milhões vindos de mais de uma dezena de investidores, incluindo Ince Capital e Primavera Capital, elevando a avaliação a algo perto de US$ 1,5 bilhão.
Esse tipo de aposta não é isolada. Investidores globais colocaram mais de US$ 3 bilhões só no primeiro semestre de 2026 em startups de modelos de mundo, o mesmo território que sustenta projetos como o movimento de world models que já vem transformando silenciosamente a computação gráfica. A diferença é que a VAST chega com um recorte mais comercial, focado em geração de asset pra criadores, e não só em pesquisa pura.

Fico pensando se esse tipo de empresa, nascida fora do radar do Vale do Silício, vai acabar definindo o padrão de ferramenta 3D que artistas brasileiros vão usar no dia a dia antes mesmo da gente perceber que ela existe.