Talvez o dado mais duro de toda a reestruturação do Xbox não seja o número de demissões, seja a confissão. Em memorando divulgado nesta semana, a CEO da divisão, Asha Sharma, admitiu que partes do Xbox operavam com até 14 camadas de gestão entre a base e a liderança, perdendo 64 centavos por cada dólar investido.
O plano anunciado por Sharma promete reduzir essas camadas de gestão para no máximo cinco, além de cortar em 50% o gasto com fornecedores em toda a divisão. Somado a isso vêm os cerca de 3.200 cortes de vagas previstos até o fim do ano fiscal, o equivalente a 20% do quadro do Xbox, e o desmembramento de quatro estúdios do Xbox Game Studios.
O que chama atenção aqui é o tom do memorando. Em vez de linguagem corporativa genérica sobre eficiência, Sharma optou por expor números específicos de disfunção interna, algo raro em comunicados desse tipo. Satya Nadella, CEO da Microsoft, reforçou o discurso ao comentar que criadores de conteúdo no YouTube já ganham mais dinheiro com jogos do Xbox do que a própria Microsoft, uma frase que resume bem o tamanho da distância entre o investimento feito na divisão e o retorno obtido nos últimos anos.
Vale lembrar que a Microsoft passou 25 anos tratando o Xbox como aposta estratégica de longo prazo, subsidiando prejuízo em nome de presença na sala de estar do consumidor. O memorando de Sharma sinaliza que essa era guardada, talvez a mais longa história de paciência financeira da indústria de games, chegou ao fim. A meta declarada é retomar crescimento só em 2027, o que deixa claro que o Xbox aceita atravessar um período de contração real antes de qualquer sinal de recuperação.
Fica a pergunta que interessa a quem trabalha na indústria, quantas outras big techs escondem o mesmo tipo de disfunção interna sem nunca precisar admitir por escrito.