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Dell entra no Blender Development Fund e muda o jogo do 3D

28 de jan, 2026 por Redação MaxRender
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Por anos, apoiar o Blender foi um gesto mais comum em estúdios, empresas de software e nomes que vivem diretamente da criação digital. Agora, quando um fabricante gigante de PCs coloca dinheiro na mesa, a pergunta muda de tom. Não é “quem acredita no Blender”, é “quem precisa que ele continue crescendo”.

A Dell Technologies passou a apoiar o Blender Development Fund como Corporate Gold sponsor, um nível que garante pelo menos €30.000 por ano para o desenvolvimento do Blender. Esse valor, sozinho, não “revoluciona” o orçamento do projeto, mas é significativo pelo sinal que manda. Entre patrocinadores corporativos, coloca a Dell em uma faixa comparável a grandes marcas que já financiam o fundo, e, mais importante, torna a empresa o primeiro grande fabricante de PCs Windows a entrar oficialmente nesse grupo.

Há um detalhe ainda mais revelador, a própria Blender Foundation destacou que a entrada da Dell foi apoiada pela NVIDIA, parceira antiga do fundo. Ou seja, não é só um fabricante “fazendo uma doação”, é um alinhamento de peças do ecossistema, hardware, GPU e software open source, apostando no Blender como ferramenta estratégica de longo prazo.

E o dinheiro vai para onde? Para “Blender no geral”. Diferente de patrocínios que chegam com um objetivo publicitário claro, ou com uma feature específica como vitrine, a comunicação dessa entrada fala em financiamento de desenvolvimento geral. Isso é relevante porque protege o Blender de virar um projeto puxado por interesses pontuais. Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade da fundação, quando o patrocínio é generalista, a comunidade espera ganhos mais amplos, estabilidade, performance, usabilidade e consistência de roadmap.

O que a Dell ganha com isso, além de imagem? Aqui vale ser honesto, não dá para afirmar um “motivo secreto” sem prova. Mas dá para ler o contexto. O Blender virou padrão em educação, freelancers, estúdios pequenos, pipelines híbridos e até em ambientes corporativos onde antes ele era visto como alternativa. Quando uma ferramenta dessas cresce, ela puxa demanda por máquinas melhores, GPUs mais fortes, drivers mais estáveis e, principalmente, confiança para ser usada em produção. Apoiar o Blender é, de um jeito muito pragmático, apoiar um mercado que compra hardware para criar.

Isso também abre uma hipótese interessante, sem prometer nada, a entrada de um grande OEM pode incentivar uma onda de “efeito dominó”. Se Dell entra, faz sentido que outras marcas olhem e se perguntem se estão ficando para trás, especialmente quando criação 3D e IA generativa estão voltando ao centro das estratégias de produto.

O ponto mais importante, porém, é cultural. Blender sempre foi símbolo de independência e comunidade. Quando empresas gigantes entram na conversa, nasce uma tensão legítima, crescimento com suporte corporativo, sem perder a alma open source. A notícia da Dell não é “o Blender ficou corporativo”, é o mercado admitindo, com dinheiro, que o Blender já é infraestrutura criativa.

E, para quem usa Blender no dia a dia, fica a pergunta que importa, esse novo tipo de apoio vai resultar em melhorias concretas para todo mundo, ou vai empurrar o projeto para prioridades que só fazem sentido para quem assina cheque?

Na MaxRender, a gente já falou sobre o fim de uma era na Blender Foundation com a passagem de bastão do Ton Roosendaal. Essa entrada da Dell chega como o outro lado da mesma moeda, mudança de liderança e reforço de sustentação, dois sinais de maturidade, e também dois testes de identidade.

O que você acha, esse tipo de apoio fortalece o Blender sem custo, ou toda ajuda grande vem com um preço invisível?

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